A rosácea é uma doença inflamatória crônica da pele que afeta principalmente a região central do rosto, causando vermelhidão persistente, sensibilidade, vasinhos aparentes e, em alguns casos, “espinhas” semelhantes à acne. Apesar de ser muito comum, a rosácea ainda gera inúmeras dúvidas: rosácea tem cura? Quais alimentos pioram? Qual o melhor tratamento? Protetor solar ajuda? Laser funciona?

O que é rosácea?
A rosácea é uma condição inflamatória crônica que afeta principalmente a pele da face. Os sintomas costumam aparecer nas bochechas, nariz, testa e queixo. Em algumas pessoas, os olhos também podem ser acometidos.
A doença geralmente evolui em crises, alternando períodos de melhora e piora. Muitas pessoas percebem episódios de vermelhidão intensa após exposição ao sol, bebidas alcoólicas, estresse emocional ou comidas quentes e apimentadas.
Embora seja mais frequente entre adultos de 30 a 50 anos, a rosácea pode surgir em diferentes idades e em todos os tipos de pele.
Rosácea tem cura?
A rosácea não possui cura definitiva, mas possui controle. Com tratamento adequado e identificação dos gatilhos, a maioria dos pacientes consegue reduzir significativamente a vermelhidão, as crises inflamatórias e a sensibilidade da pele.
Sem tratamento, a doença pode evoluir progressivamente ao longo dos anos, tornando os sintomas mais persistentes.
Dr Vitor Fabris é médico dermatologista com expertise no tratamento da acne e pode te ajudar no diagnóstico e tratamento desta doença.
Quais são os sintomas da rosácea?
Os sintomas variam bastante de pessoa para pessoa. Os mais comuns incluem:
- Vermelhidão persistente no rosto
- Sensação de calor ou ardor
- Pele sensível e irritada
- Vasos sanguíneos aparentes (“vasinhos”)
- Pápulas e pústulas semelhantes à acne
- Ressecamento e descamação
- Sensação de queimação
- Inchaço facial
- Olhos irritados, secos ou avermelhados
Em casos mais avançados, pode ocorrer espessamento da pele, especialmente no nariz, condição conhecida como rinofima. Essa condição é muito mais frequente em homens de idade mais avançada do que em mulheres.
Quais são os tipos de rosácea?
Hoje sabemos que a rosácea pode se manifestar de diferentes formas clínicas. Ela já foi classificada em subtipos, no passado, e hoje entende-se que todas essas diferentes manifestações da rosácea podem coexistir numa mesma pessoa, em diferentes intensidades. Essas diferentes formas de apresentação são:
Rosácea eritematotelangiectásica
É o tipo mais comum. Caracteriza-se por vermelhidão persistente e vasinhos aparentes.
Rosácea papulopustulosa
Além da vermelhidão, surgem lesões inflamatórias parecidas com acne.
Rosácea Fimatosa
Forma mais rara e avançada, associada ao espessamento da pele, especialmente do nariz.
Rosácea ocular
Afeta os olhos, causando ardor, vermelhidão, sensação de areia nos olhos e sensibilidade à luz.

O que causa rosácea?
A causa exata ainda não é completamente conhecida. No entanto, estudos mostram que a rosácea envolve uma combinação de fatores genéticos, imunológicos, vasculares e ambientais.
Pesquisas também sugerem participação de:
- Alterações da barreira cutânea
- Hiperreatividade vascular
- Inflamação crônica
- Proliferação do ácaro Demodex folliculorum
- Alterações do microbioma da pele
- Predisposição genética
O que piora a rosácea?
Os chamados “gatilhos” variam entre os pacientes. Por isso, identificar os fatores individuais é uma parte essencial do tratamento.
Os gatilhos mais comuns incluem:
- Exposição solar
- Calor excessivo
- Banhos muito quentes
- Bebidas alcoólicas
- Comidas apimentadas
- Estresse emocional
- Exercícios intensos
- Mudanças bruscas de temperatura
- Alguns cosméticos irritantes
- Ácidos fortes e esfoliantes agressivos
Muitas vezes recomenda-se que o paciente mantenha um “diário de gatilhos”, registrando situações que desencadeiam crises.
Rosácea e alimentação: existe relação?
Não existe uma dieta universal para rosácea, mas alguns alimentos podem desencadear piora em pessoas predispostas. Os principais incluem:
- Bebidas alcoólicas
- Pimenta
- Alimentos muito quentes
- Bebidas quentes
- Temperos intensos
Contudo, é importante ressaltar que esses alimentos não devem ser necessariamente evitados por todos os pacientes – uma pessoa com rosácea pode ter gatilho ao consumir álcool, mas não ao consumir pimenta, por exemplo. As alterações na dieta são sempre orientadas de forma personalizada e não existe uma dieta universal que cure ou melhore a rosácea.
De forma semelhante, não existem alimentos mágicos que farão a rosácea desaparecer ao serem consumidos.
Como é feito o diagnóstico da rosácea?
O diagnóstico é clínico, realizado pelo dermatologista através da avaliação da pele e dos sintomas. Não existe um exame laboratorial específico para confirmar rosácea.
Em alguns casos, é importante diferenciar rosácea de outras doenças, como:
- Acne vulgar
- Dermatite seborreica
- Lúpus
- Dermatite perioral
- Reações alérgicas
Qual é o melhor tratamento para rosácea?
O melhor tratamento depende das manifestações clínicas da doença, da intensidade dos sintomas e dos gatilhos individuais. Um mesmo paciente receberá tratamento diferentes ao longo do tempo, já que a rosácea naturalmente passa por períodos mais intensos e menos intensos.
O é guiado conforme as manifestações clínicas da doenças e costuma envolver uma combinação de:
- Cuidados diários com a pele
- Protetor solar
- Medicamentos tópicos
- Medicamentos orais
- Tecnologias como laser e luz intensa pulsada
Idealmente, o tratamento deve ser sempre guiado por um dermatologista experiente.
Protetor solar é obrigatório?
Sim. A proteção solar é uma das etapas mais importantes do tratamento.
A radiação ultravioleta é um dos principais gatilhos da rosácea. O uso diário de protetor solar ajuda a reduzir crises inflamatórias e a proteger a barreira cutânea.
Além disso, o dano crônico causado pela exposição solar sem proteção adequada pode se somar à rosácea e acentuar todos os sintomas dessa condição.
O ideal é escolher protetores para pele sensível, preferencialmente sem fragrâncias irritantes.
Quais cremes são usados na rosácea?
Os medicamentos tópicos são muito utilizados nos casos leves e moderados.
Entre os principais tratamentos tópicos estão:
- Metronidazol tópico
- Ivermectina tópica
- Ácido azelaico
Cada medicação possui indicações específicas. Algumas atuam melhor na vermelhidão; outras, nas lesões inflamatórias. A escolha da melhor medicação para cada caso deve ser realizada por um dermatologista capacitado.

Antibióticos funcionam?
Sim, especialmente nos casos com pápulas e pústulas inflamatórias.
Antibióticos da classe das tetraciclinas, em doses anti-inflamatórias, estão entre os tratamentos mais utilizados. Isso acontece porque quando esses antibióticos são prescritos em doses baixas eles possuem um efeito anti-inflamatório na pele. O objetivo do tratamento, nesses casos, não é combater uma infecção bacteriana, mas reduzir a inflamação da pele.
Laser para rosácea funciona?
Sim. Lasers vasculares e luz intensa pulsada (IPL) podem ajudar bastante no tratamento da vermelhidão e dos vasinhos aparentes.
Esses procedimentos atuam nos vasos dilatados da pele, reduzindo o eritema persistente.
É importante entender que o laser melhora os sintomas, mas não “cura” a rosácea. Mesmo que haja uma melhora quase total da vermelhidão da pele, sessões de manutenção são necessárias ao longo do tempo para manter o efeito.
Qual skincare é ideal para quem tem rosácea?
Skincare não trata rosácea. Entretando, uma rotina inadequada pode piorar bastante a sensibilidade cutânea.
De forma geral, recomenda-se:
- Priorizar o uso de sabonetes suaves
- Uso regular de hidratantes adequados para peles sensíveis
- Protetor solar diário, com reaplicação pelo menos uma vez ao dia
- Evitar esfoliantes agressivos
- Evitar uso de ácidos esfoliativos
- Preferir produtos sem álcool e sem fragrância
Quando pensamos em rotina de cuidados para pacientes com rosácea, é importante priorizar produtos delicados e que não irritem a pele. Além disso, é importante ressaltar que o skincare é uma medida complementar e não substitui o tratamento com medicações, sejam elas tópicas ou via oral.
Quem tem rosácea pode usar ácido?
Depende do ácido e da sensibilidade da pele.
Pacientes com rosácea costumam apresentar uma barreira cutânea mais fragilizada, o que aumenta o risco de irritação. Ácidos fortes podem desencadear crises importantes.
Quando indicados, devem ser utilizados com orientação dermatológica e introduzidos gradualmente. A pele com rosácea pode estar tão delicada a ponto de não tolerar nem mesmo o Ácido Azelaico, que é o ácido que melhor trata a vermelhidão da pele e que tem baixa chance de causar irritações.
O Ácido Hialurônico, apesar de ter ácido no nome, é na verdade uma subtância hidratante e que não agride a pele. Por esse motivo, não costuma irritar a pele com rosácea.
Rosácea pode afetar os olhos?
Sim. A rosácea ocular é relativamente comum e pode causar:
- Olhos vermelhos
- Ardor
- Sensação de areia
- Lacrimejamento
- Sensibilidade à luz
- Blefarite
Em alguns casos, é necessário acompanhamento com oftalmologista.
Rosácea piora com estresse?
Pode piorar. O estresse emocional é um dos gatilhos mais frequentemente relatados pelos pacientes.
Isso ocorre porque o estresse pode aumentar a liberação de mediadores inflamatórios e favorecer a vasodilatação cutânea. Além disso, é frequente que períodos de estresse levem a mudança de hábitos: alterações no padrão da dieta, na rotina de exercício físico e na qualidade do sono.
Toda essa combinação de fatores pode contribuir para a piora da rosácea.
Rosácea é acne?
Não. Apesar de algumas formas causarem “espinhas”, rosácea e acne são doenças diferentes.
Na acne, é comum a presença de cravos. Já na rosácea predominam vermelhidão, sensibilidade e flushing (“vermelhão” do rosto após exercício físico ou outros gatilhos).
Existe rosácea em pele negra?
Sim. Embora historicamente mais associada a peles claras, a rosácea também pode ocorrer em peles negras e morenas. O diagnóstico pode ser mais difícil porque a vermelhidão nem sempre é tão evidente.
O que acontece se a rosácea não for tratada?
Sem controle adequado, a doença pode evoluir com:
- Vermelhidão persistente
- Vasos permanentes
- Inflamação crônica
- Espessamento da pele
- Maior impacto emocional e autoestima reduzida
O tratamento precoce ajuda a evitar progressão.
Como controlar as crises de rosácea?
Algumas medidas costumam ajudar bastante:
- Usar protetor solar diariamente
- Evitar calor excessivo
- Reduzir gatilhos alimentares individuais
- Utilizar skincare suave
- Evitar procedimentos irritativos
- Manter acompanhamento dermatológico regular para reavaliar o melhor tratamento para o momento atual da pele
Entretanto, quando as crises tornam-se frequentes, é importante consultar um dermatologista para um tratamento direcionado, que pode envolver medicações tópicas e via oral.
Quando procurar um dermatologista?
É importante buscar avaliação médica quando houver:
- Vermelhidão persistente
- Sensação frequente de ardor
- Vasinhos aparentes
- Lesões parecidas com acne
- Irritação ocular recorrente
- Piora progressiva da sensibilidade cutânea
O diagnóstico correto é essencial para definir o tratamento mais adequado.
Conclusão
A rosácea é uma doença inflamatória crônica muito comum, mas que ainda é frequentemente subdiagnosticada. Embora não tenha cura definitiva, os avanços da dermatologia permitem hoje um controle muito mais eficaz da vermelhidão, da inflamação e da sensibilidade da pele.
O segredo do tratamento está na combinação entre diagnóstico correto, identificação dos gatilhos individuais, rotina adequada de cuidados e terapias direcionadas para cada tipo de rosácea.
Se você apresenta vermelhidão persistente, sensibilidade facial ou crises frequentes de flushing, vale a pena procurar avaliação com um dermatologista para confirmar o diagnóstico e iniciar um plano de tratamento personalizado.
Leia mais:
Sociedade Brasileira de Dermatologia – Rosácea