Encontrar uma falha de cabelo que surgiu aparentemente “do nada” pode ser assustador. Quando a perda de cabelo aparece de forma rápida, formando áreas bem delimitadas e sem cicatriz, uma das possibilidades é a alopecia areata.
A alopecia areata é uma doença inflamatória e imunomediada que afeta os folículos dos pelos e pode provocar perda de cabelo em diferentes regiões do corpo. Na maioria das vezes, ela se manifesta como uma ou mais áreas arredondadas e lisas de queda de cabelo no couro cabeludo, mas também pode atingir barba, sobrancelhas, cílios e outras regiões.
Apesar de poder causar grande impacto emocional, existe uma informação importante: na alopecia areata, o folículo piloso não é permanentemente destruído, o que significa que existe potencial para o crescimento dos cabelos novamente. No entanto, a evolução é imprevisível e novos episódios podem ocorrer.
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O que é alopecia areata?

A alopecia areata é uma doença autoimune em que o sistema imunológico passa a atacar estruturas relacionadas ao folículo piloso. Esse processo interfere no ciclo normal do cabelo, fazendo com que os fios entrem prematuramente em fases de regressão e repouso.
Diferentemente das alopecias cicatriciais, esse processo não destrói definitivamente o folículo. Por isso, mesmo em áreas que perderam completamente os cabelos, pode haver novo crescimento.
A doença pode ocorrer em qualquer idade, embora o início seja mais frequente nas primeiras décadas da vida. Homens e mulheres podem ser afetados.
Como começa a alopecia areata?
A apresentação mais característica é o aparecimento relativamente rápido de uma ou mais áreas lisas e arredondadas de perda completa dos cabelos.
Essas áreas geralmente surgem ao longo de algumas semanas e não apresentam descamação significativa. Em alguns casos, pode haver coceira, formigamento ou sensação de ardência antes da queda dos cabelos, mas a alopecia areata costuma ser assintomática.
Um achado bastante característico são os chamados “pelos em ponto de exclamação”. São fios mais estreitos próximos à raiz e mais largos na extremidade, geralmente encontrados nas bordas de áreas que estão aumentando.
A alopecia areata não ocorre necessariamente apenas no couro cabeludo. Ela também pode afetar:
- barba;
- sobrancelhas;
- cílios;
- braços e pernas;
- tronco;
- outras regiões com pelos.
Em algumas pessoas, a doença pode causar perda extensa dos cabelos do couro cabeludo ou até dos pelos de todo o corpo. Os termos tradicionalmente utilizados para essas formas são alopecia total e alopecia universal, respectivamente.
| Característica | Alopecia Areata | Alopecia Androgenética | Alopecia Cicatricial |
| Início | Geralmente rápido | Progressivo e lento | Variável |
| Padrão | Placas ou formas extensas | Padrão de calvície | Áreas sem cabelo |
| Folículo | Preservados | Preservados | Destruídos |
| Possibilidade de Crescimento | Geralmente presente | Variável | Não existe nos folículos que foram destruídos |
Alopecia areata é causada por estresse?
Essa é uma das dúvidas mais frequentes.
Algumas pessoas relatam que a queda começou depois de um período de estresse emocional ou físico importante. Entretanto, não é possível afirmar que o estresse seja a causa da alopecia areata.
O desenvolvimento da doença parece envolver uma combinação de predisposição genética, alterações imunológicas e outros fatores ainda não completamente esclarecidos. Infecções, medicamentos, vacinas e situações de estresse foram propostos como possíveis fatores associados a episódios da doença, mas muitos pacientes não identificam nenhum evento desencadeante.
Portanto, dizer que uma pessoa “ficou careca por causa do estresse” é uma simplificação que não explica adequadamente a alopecia areata.
O estresse não é a causa da perda de cabelo na alopecia areata, mas pode ser um gatilho que faz a doença aparecer em uma pessoa que já tem predisposição genética a desenvolvê-la.
Alopecia areata é genética?
Existe uma predisposição genética para a doença, mas isso não significa que ela seja obrigatoriamente transmitida de pais para filhos.
Estudos familiares e com gêmeos demonstram participação genética, e aproximadamente 20% dos pacientes avaliados em um estudo apresentavam um familiar de primeiro grau com alopecia areata.
Ter familiares com a doença pode aumentar a predisposição, mas não permite prever se uma pessoa necessariamente desenvolverá alopecia areata.
Como é feito o diagnóstico?
Na maioria das vezes, o diagnóstico de alopecia areata é feito pelo dermatologista durante a consulta, por meio da história clínica e do exame do couro cabeludo e dos pelos.
O médico avalia a velocidade da queda, o padrão das áreas sem cabelo, a presença de pelos em ponto de exclamação, os orifícios dos folículos e possíveis alterações nas unhas.
A tricoscopia, também conhecida como dermatoscopia do couro cabeludo, pode complementar a avaliação. Entre os achados que podem aparecer estão pontos amarelos, pontos pretos, fios curtos, fios quebrados e fios afilados ou em ponto de exclamação.
A biópsia do couro cabeludo geralmente não é necessária quando o quadro é típico. Ela pode ser indicada quando existe dúvida diagnóstica ou quando é necessário diferenciar a alopecia areata de outras doenças, especialmente alopecias cicatriciais.
É necessário fazer exames de sangue?
Nem todas as pessoas com alopecia areata precisam realizar uma grande quantidade de exames.
Existe associação entre alopecia areata e algumas doenças autoimunes, especialmente doenças da tireoide. Por isso, o médico pode investigar sinais e sintomas de alterações da tireoide e, dependendo do caso, solicitar exames laboratoriais.
Por outro lado, na ausência de sintomas ou sinais sugestivos, não é recomendado simplesmente solicitar uma bateria indiscriminada de exames para procurar todas as doenças autoimunes possíveis.
A alopecia areata também apresenta associações com condições como vitiligo, dermatite atópica, psoríase, rinite alérgica e algumas doenças autoimunes.
Alopecia areata tem cura?
Atualmente, não existe uma cura definitiva que impeça a doença de voltar.
Isso não significa que os cabelos não possam crescer novamente. Pelo contrário: muitas pessoas apresentam repilação espontânea ou respondem ao tratamento. O problema é que a alopecia areata pode apresentar um comportamento imprevisível, alternando períodos de melhora e novos episódios de queda.
Nas formas localizadas, cerca de metade dos pacientes pode apresentar crescimento espontâneo dos cabelos dentro de um ano.

The dermatoscope in the hair clinic: Trichoscopy of scarring and nonscarring alopecia
Journal of the American Academy of Dermatology, 89, S9-S15
O cabelo volta a crescer sozinho?
Pode voltar.
Esse é um dos aspectos mais importantes da alopecia areata. Em casos de doença localizada e em placas, aproximadamente 50% dos pacientes podem apresentar recuperação espontânea dos cabelos em até um ano.
Quando o crescimento começa, os primeiros fios podem ser finos e claros, semelhantes a pelos muito delicados. Com o tempo, eles podem adquirir espessura e pigmentação normais.
Entretanto, crescimento espontâneo não significa que a doença não possa voltar posteriormente.
Quais fatores indicam maior risco de a alopecia areata ser mais grave?
Algumas características estão associadas a maior risco de persistência ou recorrência. Entre elas estão:
- início da doença na infância;
- perda extensa de cabelos;
- doença com duração superior a um ano;
- padrão em faixa na região occipital e temporal, chamado padrão ophiasis;
- alterações nas unhas;
- dermatite atópica ou outras manifestações de atopia;
- histórico familiar de alopecia areata.
Por isso, não é possível prever o futuro da doença apenas observando uma única placa de alopecia. A extensão, duração e padrão da doença são importantes para estimar o prognóstico.
Como tratar a alopecia areata?
O tratamento depende principalmente da extensão da queda, localização, velocidade de progressão, idade, histórico do paciente e impacto que a doença causa na qualidade de vida.
A decisão de tratar deve ser individualizada. Isso acontece porque algumas formas localizadas podem melhorar espontaneamente, enquanto outras apresentam progressão ou recorrência e podem justificar intervenção.
Alopecia areata em placas pequenas
Para adultos com alopecia areata localizada, as injeções de corticosteroide diretamente nas áreas afetadas são uma das principais opções de tratamento inicial.
O objetivo é reduzir a atividade inflamatória ao redor dos folículos e estimular o crescimento dos cabelos. Quando há resposta, os primeiros sinais de crescimento costumam aparecer em aproximadamente seis a oito semanas.
Outra possibilidade, especialmente em crianças ou em pessoas que não toleram as injeções, são os corticosteroides tópicos.
Alopecia areata extensa
Quando a perda de cabelos é extensa, o tratamento pode ser diferente. Nesses casos, podem ser considerados medicamentos sistêmicos, imunoterapia tópica e outras estratégias.
Entre os tratamentos sistêmicos mais recentes estão os inibidores da via JAK, uma classe de medicamentos que interfere em mecanismos envolvidos na resposta imunológica da alopecia areata.
Atualmente baricitinibe, ritlecitinibe e deuruxolitinibe estão entre os inibidores de JAK utilizados para casos extensos, com indicações que dependem de idade, país, aprovação regulatória e características individuais do paciente.
Esses medicamentos não devem ser utilizados por conta própria. Como podem apresentar efeitos adversos importantes e exigem avaliação clínica e acompanhamento, sua indicação deve ser feita por médico com experiência no tratamento da doença.
Alopecia areata pode afetar as unhas?
Sim.
Alterações nas unhas são observadas em aproximadamente 10% a 20% dos pacientes e podem aparecer antes, durante ou depois da queda dos cabelos. Entre as alterações estão pequenas depressões na superfície das unhas, aumento da aspereza, fissuras longitudinais e outras alterações da lâmina ungueal.
A presença de alterações ungueais também pode estar associada a formas mais graves da alopecia areata.
Alopecia areata piora com o tempo?
Não necessariamente.
A evolução varia bastante de uma pessoa para outra. A doença pode desaparecer espontaneamente, responder ao tratamento, permanecer estável, voltar depois de um período de melhora ou progredir para formas mais extensas.
Por isso, uma consulta dermatológica é importante principalmente quando a queda está aumentando rapidamente, surgem novas áreas ou há perda de sobrancelhas, cílios ou barba.
Alopecia areata causa queda permanente dos cabelos?
Na maioria dos casos, os folículos permanecem preservados, portanto existe possibilidade de crescimento dos cabelos.
Entretanto, algumas pessoas apresentam doença persistente ou recorrente e podem evoluir para formas extensas. Quanto maior a extensão e a duração da doença, mais reservado tende a ser o prognóstico.
O impacto emocional da alopecia areata é importante?
Sim. E esse aspecto não deve ser subestimado.
Mesmo uma pequena área de alopecia pode causar grande impacto na autoestima, na imagem corporal e na vida social. A intensidade desse impacto nem sempre corresponde à quantidade de cabelos perdidos.
Ansiedade, sintomas depressivos e sofrimento psicológico podem ocorrer, especialmente em casos mais extensos. O tratamento, portanto, não deve considerar apenas o crescimento dos cabelos, mas também a qualidade de vida do paciente.
Quando procurar um dermatologista?
É recomendável procurar avaliação médica quando aparecer uma área de queda de cabelo repentina, bem delimitada ou diferente do padrão habitual de queda.
O diagnóstico correto é importante porque outras doenças podem produzir áreas de alopecia, incluindo micose do couro cabeludo, tricotilomania, alopecias cicatriciais, sífilis secundária e alopecia androgenética em determinados padrões.
Quanto antes a causa for identificada, mais adequado poderá ser o planejamento do acompanhamento e, quando indicado, do tratamento.
Conclusão
A alopecia areata é uma doença relativamente comum, mas seu comportamento pode ser bastante imprevisível. Ela pode surgir de maneira repentina, melhorar espontaneamente ou com tratamento e, em alguns casos, voltar posteriormente.
A boa notícia é que a alopecia areata não costuma destruir definitivamente os folículos, mantendo a possibilidade de crescimento dos cabelos. Ao mesmo tempo, formas extensas ou persistentes podem exigir tratamentos mais complexos e acompanhamento prolongado.
Se você percebeu uma falha de cabelo que surgiu recentemente, especialmente se ela está aumentando ou novas áreas estão aparecendo, o ideal é realizar uma avaliação dermatológica. O diagnóstico correto é o primeiro passo para entender o prognóstico e definir se é necessário tratar — e qual tratamento faz mais sentido para cada caso.
Atenção: este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica presencial.
Perguntas Frequentes sobre Alopecia Areata (FAQs)
O que causa alopecia areata?
A alopecia areata é uma doença imunomediada em que o sistema imunológico ataca estruturas do folículo piloso. Existe influência genética, mas os mecanismos que desencadeiam cada episódio ainda não são completamente conhecidos.
Alopecia areata é contagiosa?
Não. A alopecia areata é uma doença imunomediada e não é transmitida de uma pessoa para outra.
Alopecia areata faz o cabelo cair de uma vez?
A queda pode ser bastante rápida, geralmente formando placas lisas e bem delimitadas ao longo de algumas semanas. Em alguns casos, a doença pode evoluir para perda extensa dos cabelos.
Alopecia areata volta depois que o cabelo cresce?
Pode voltar. A recorrência é comum, mesmo quando ocorre recuperação completa dos cabelos após um episódio.
Alopecia areata tem tratamento?
Sim. Existem diferentes tratamentos, e a escolha depende da extensão e das características da doença. Podem ser utilizados corticosteroides tópicos ou injetáveis, imunoterapia tópica e, em casos selecionados de doença extensa, medicamentos sistêmicos, incluindo inibidores da via JAK.
Alopecia areata pode atingir a barba?
Sim. A barba é uma das regiões que podem ser afetadas pela alopecia areata. Em alguns homens, a perda de pelos da barba pode ser a primeira ou única manifestação da doença.
Alopecia areata pode causar queda das sobrancelhas e cílios?
Sim. A doença pode atingir qualquer região com pelos, incluindo sobrancelhas e cílios.
Quem tem alopecia areata precisa investigar a tireoide?
A alopecia areata apresenta associação com doenças autoimunes da tireoide. A necessidade de exames deve ser definida individualmente, considerando sintomas, histórico pessoal e familiar e outros fatores clínicos.
Qual médico trata alopecia areata?
O dermatologista é o especialista responsável pelo diagnóstico e tratamento da alopecia areata. Em situações específicas, outros profissionais podem participar do cuidado, principalmente quando existem doenças associadas ou impacto psicológico significativo.
Leia mais:
Sociedade Brasileira de Dermatologia: Alopecia Areata