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Dr. Vitor Fabris – Dermatologista em Criciúma – SC

O vitiligo é uma doença crônica que provoca o surgimento de manchas brancas ou áreas de perda de pigmentação na pele. Embora muitas pessoas ainda associem o vitiligo exclusivamente a uma questão estética, sabemos atualmente que se trata de uma doença complexa, relacionada principalmente a mecanismos autoimunes que levam à destruição dos melanócitos, as células responsáveis pela produção de melanina.

As manchas podem aparecer em diferentes regiões do corpo, inclusive no rosto, mãos, pés, região genital e ao redor dos olhos e da boca. Em algumas pessoas, permanecem estáveis por longos períodos; em outras, podem aumentar ou surgir novas áreas ao longo do tempo.

Além das alterações na pele, o vitiligo pode causar um impacto significativo na autoestima, na vida social e na qualidade de vida. Por isso, o tratamento deve considerar não apenas a extensão das manchas, mas também o momento da doença, as áreas afetadas e o quanto o vitiligo interfere na vida de cada paciente.

Sobre o autor

Dr Vitor Fabris, médico com experiência no tratamento do vitiligo
Dr Vitor Fabris é dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Europeia de Dermatologia e Venereologia. É graduado em medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e realizou residência em dermatologia na PUCRS. Tem experiência com o diagnóstico e tratamento do vitiligo.

O que é vitiligo?

foto de mãos morenas com manchas brancas de vitiligo
As manchas brancas são a característica clínica mais marcante do vitiligo

O vitiligo é uma doença adquirida da pigmentação caracterizada pela perda dos melanócitos da epiderme. Clinicamente, costuma se manifestar como manchas bem delimitadas, brancas ou completamente despigmentadas, geralmente sem descamação ou alteração da textura da pele.

A doença pode aparecer em qualquer idade, embora seja mais frequente o início durante a infância, adolescência ou início da vida adulta. Estimativas apontam que o vitiligo afeta aproximadamente 0,1% a 2% da população.

O vitiligo não é uma doença contagiosa e não é transmitido pelo contato físico.

O que causa o vitiligo?

Não existe uma única causa do vitiligo. Atualmente, entende-se que a doença resulta da interação de diferentes fatores genéticos, imunológicos e celulares.

A hipótese autoimune tem papel central. Em pessoas geneticamente predispostas, células do sistema imunológico, especialmente linfócitos T CD8+, podem reconhecer e destruir melanócitos. Esse processo está relacionado à ativação de vias inflamatórias, incluindo a sinalização por interferon-gama e a via JAK/STAT.

Estudos recentes indicam que a doença provavelmente resulta da interação entre predisposição genética, estresse oxidativo, alterações na adesão dos melanócitos e mecanismos da imunidade inata e adaptativa. Portanto, não existe uma explicação única capaz de justificar todos os casos de vitiligo.

Estresse emocional causa vitiligo?

Situações como estresse emocional, doenças, queimaduras solares ou outros acontecimentos podem ser relatadas pelos pacientes antes do aparecimento das manchas. Entretanto, esses eventos não são considerados causas do vitiligo, e sim gatilhos.

Isso significa que, em pessoas com predisposição genética a desenvolver a doença ou com a doença já diagnosticada, os períodos de estresse intensos podem desencadear o surgimento de novas lesões. Em outras palavras: o stress não é a causa, mas pode agravar uma doença já existente.

Traumas físicos (machucados e feridas) podem desencadear vitiligo?

Em algumas pessoas, traumas físicos repetidos podem estar relacionados ao surgimento de novas lesões. Esse fenômeno é conhecido como fenômeno de Koebner e pode ocorrer em aproximadamente 20% a 60% dos pacientes.

Quais são os tipos de vitiligo?

De forma simplificada, o vitiligo pode ser dividido em não segmentar e segmentar.

Vitiligo não segmentar

foto contendo os braços de uma mulher com manchas brancas resultantes de vitiligo
No vitiligo não segmentar, as manchas brancas costumam aparecer nos mais variados locais do corpo

É o tipo mais comum. As manchas geralmente aparecem de forma bilateral e, muitas vezes, simétrica, podendo atingir diversas regiões do corpo.

Dentro desse grupo existem diferentes padrões, incluindo vitiligo generalizado, acrofacial, acral, mucoso e universal.

O comportamento do vitiligo não segmentar é bastante variável. Pode permanecer estável durante determinado período e posteriormente voltar a apresentar atividade.

Vitiligo segmentar

O vitiligo segmentar costuma apresentar manchas distribuídas de maneira unilateral, frequentemente seguindo uma distribuição semelhante à de um segmento nervoso.

Em geral, começa mais cedo e apresenta uma evolução diferente do vitiligo não segmentar. Na maioria dos casos, a progressão diminui significativamente após aproximadamente um ou dois anos.

Essa diferença é importante porque o tipo de vitiligo influencia tanto a avaliação do prognóstico quanto a escolha do tratamento.

Como saber se uma mancha branca é vitiligo?

O diagnóstico do vitiligo geralmente é feito pelo dermatologista durante o exame clínico.

As lesões típicas são manchas adquiridas, bem delimitadas, uniformemente brancas e sem alteração importante da textura da pele.

Em alguns casos, o dermatologista pode utilizar a lâmpada de Wood, um equipamento que emite luz ultravioleta e ajuda a evidenciar áreas de despigmentação que podem ser difíceis de visualizar a olho nu.

A dermatoscopia também pode auxiliar na avaliação de manchas suspeitas e na diferenciação entre vitiligo e outras doenças que provocam alterações da pigmentação.

A biópsia de pele não é necessária na maioria dos casos. Ela pode ser considerada quando o diagnóstico não é claro ou quando é necessário excluir outras doenças.

Vitiligo está relacionado a outras doenças?

Sim. O vitiligo apresenta associação com outras doenças autoimunes, especialmente doenças autoimunes da tireoide.

Aproximadamente 20% dos pacientes podem apresentar alguma doença autoimune associada, sendo as doenças da tireoide particularmente relevantes.

Por esse motivo, a avaliação dermatológica pode incluir investigação da função da tireoide, principalmente em pacientes com doença generalizada ou extensa.

Isso não significa que toda pessoa com vitiligo tenha outra doença autoimune. A investigação deve ser individualizada de acordo com a história clínica e o exame médico.

Vitiligo tem cura?

Atualmente, não existe uma cura definitiva para o vitiligo. Entretanto, isso não significa que não exista tratamento.

Os tratamentos disponíveis podem ajudar a interromper ou reduzir a progressão da doença e estimular a repigmentação da pele. A resposta varia bastante entre os pacientes e também entre diferentes regiões do corpo.

O objetivo do tratamento deve ser definido individualmente. Em algumas pessoas, a prioridade será controlar uma doença que está se espalhando rapidamente. Em outras, o objetivo principal será recuperar a pigmentação de áreas específicas.

Quais são os tratamentos para vitiligo?

O tratamento depende do tipo de vitiligo, da extensão das manchas, da localização, da atividade da doença e das características individuais do paciente.

Entre as principais opções estão:

  • medicamentos tópicos, como corticosteroides e inibidores da calcineurina;
  • inibidores tópicos da via JAK, como o ruxolitinibe, em situações específicas;
  • fototerapia, especialmente a fototerapia UVB de banda estreita;
  • fototerapia direcionada, incluindo equipamentos de 308 nm;
  • procedimentos cirúrgicos de transplante de melanócitos ou enxertos em casos selecionados;
  • estratégias de camuflagem para reduzir temporariamente o contraste das manchas.

Em áreas localizadas, medicamentos tópicos podem ser utilizados como tratamento inicial. Já em doenças mais extensas, a fototerapia UVB de banda estreita tem papel importante.

A fototerapia UVB de banda estreita pode ser realizada várias vezes por semana e, frequentemente, exige tratamento prolongado para que os resultados sejam avaliados adequadamente.

Em pacientes cuidadosamente selecionados, principalmente com vitiligo estável e localizado que não respondeu adequadamente aos tratamentos clínicos, técnicas cirúrgicas podem ser consideradas.

Todas as manchas de vitiligo respondem igualmente ao tratamento?

Não.

A localização da mancha é um dos fatores que mais influenciam a resposta. Lesões no rosto e no tronco geralmente apresentam melhores resultados de repigmentação, enquanto áreas como mãos e pés costumam ser mais difíceis de tratar.

Isso está relacionado, entre outros fatores, à quantidade de folículos pilosos presentes na região. Os folículos podem funcionar como uma importante fonte de melanócitos capazes de participar da repigmentação.

Por isso, é importante ter expectativas realistas: o resultado do tratamento não é necessariamente igual em todas as regiões do corpo.

O vitiligo pode voltar depois do tratamento?

Pode.

Mesmo quando ocorre uma excelente repigmentação, a permanência do resultado não pode ser garantida. O vitiligo apresenta comportamento imprevisível, e novas áreas podem surgir ou áreas previamente tratadas podem perder pigmentação novamente.

Por esse motivo, o acompanhamento dermatológico é importante mesmo depois de uma boa resposta ao tratamento.

Quem tem vitiligo precisa usar protetor solar?

Sim.

As áreas despigmentadas possuem pouca ou nenhuma melanina e, portanto, são mais vulneráveis à exposição solar e às queimaduras. A fotoproteção é uma parte importante dos cuidados de quem apresenta vitiligo.

Além de proteger as áreas afetadas, evitar queimaduras solares também ajuda a reduzir a diferença de pigmentação entre a pele saudável e as manchas.

Quando a fotoproteção não é realizada de forma adequada nas áreas com vitiligo, a pele sofre queimaduras solares de repetição nesses locais, levando a envelhecimento precoce e aumentando o risco de desenvolver câncer de pele nessas regiões.

Vitiligo afeta a autoestima?

Pode afetar significativamente.

Embora não provoque necessariamente sintomas físicos, o vitiligo pode ter grande impacto psicológico e social, principalmente quando as manchas estão localizadas no rosto, mãos ou outras áreas visíveis.

Estudos mostram associação entre vitiligo, redução da autoestima, isolamento social, estigmatização e alterações de saúde mental.

Por isso, tratar o vitiligo não significa obrigatoriamente buscar uma pele “perfeita”. Significa oferecer ao paciente opções para controlar a doença e, quando desejado, melhorar a aparência das áreas afetadas.

Quando procurar um dermatologista?

É recomendável procurar avaliação dermatológica quando surgirem novas manchas brancas ou áreas de perda de pigmentação, principalmente quando elas estiverem aumentando, quando novas manchas estiverem aparecendo ou quando houver alterações de pelos e cabelos na região.

O diagnóstico correto é importante porque existem diversas doenças que podem produzir manchas claras ou brancas na pele e que podem ser confundidas com vitiligo.

Além disso, quanto mais cedo for identificada uma doença em atividade, mais cedo poderá ser discutida uma estratégia para tentar controlar sua progressão.

Vitiligo tem tratamento. O primeiro passo é o diagnóstico correto.

O vitiligo é uma doença complexa e com comportamento diferente de pessoa para pessoa. Por isso, mais importante do que procurar uma “receita” única na internet é entender qual é o tipo de vitiligo, se a doença está ativa e quais são os objetivos do tratamento.

Com diagnóstico adequado e acompanhamento dermatológico, é possível discutir estratégias para controlar a doença, estimular a repigmentação e reduzir o impacto das manchas na qualidade de vida.

Se você percebeu o surgimento de manchas brancas na pele ou observou mudanças em áreas de vitiligo já conhecidas, uma avaliação com dermatologista é o melhor caminho para definir o diagnóstico e as opções de tratamento mais adequadas para o seu caso.

Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui uma avaliação médica individualizada.


Perguntas frequentes sobre vitiligo

1. Vitiligo é contagioso?

Não. O vitiligo não é contagioso e não pode ser transmitido de uma pessoa para outra pelo contato físico.

2. Vitiligo tem cura?

Atualmente, não existe uma cura definitiva para o vitiligo. Porém, existem tratamentos capazes de controlar a atividade da doença e estimular diferentes graus de repigmentação.

3. O que causa o vitiligo?

O vitiligo resulta de uma interação complexa entre predisposição genética, alterações nos melanócitos, estresse oxidativo e mecanismos autoimunes. A causa exata não é completamente conhecida.

4. Estresse causa vitiligo?

Não há evidências suficientes para afirmar que o estresse, isoladamente, cause vitiligo. Entretanto, fatores ambientais e físicos podem participar da ativação da doença em pessoas predispostas.

5. Vitiligo pode se espalhar pelo corpo?

Sim. O vitiligo pode aumentar de tamanho ou novas manchas podem aparecer. Entretanto, a velocidade de progressão é imprevisível e pode haver períodos prolongados de estabilidade.

6. Vitiligo pode desaparecer sozinho?

Pode ocorrer repigmentação espontânea em algumas situações, mas isso não é previsível. Por isso, não é recomendado simplesmente esperar que as manchas desapareçam sem avaliação quando existe suspeita de vitiligo.

7. Quem tem vitiligo precisa investigar a tireoide?

A associação entre vitiligo e doenças autoimunes da tireoide é relevante. Por isso, a avaliação da função tireoidiana pode ser recomendada, especialmente dependendo da extensão da doença e da história clínica.

8. Qual é o melhor tratamento para vitiligo?

Não existe um único tratamento considerado melhor para todos os pacientes. A escolha depende do tipo de vitiligo, atividade da doença, extensão, localização, idade, tratamentos anteriores e objetivos do paciente.

9. Vitiligo pode voltar depois do tratamento?

Sim. Mesmo após uma boa repigmentação, pode ocorrer perda de pigmento novamente. O acompanhamento é importante para identificar precocemente sinais de atividade da doença.

10. Vitiligo piora com trauma na pele?

Em algumas pessoas, sim. O fenômeno de Koebner descreve o aparecimento de lesões de vitiligo em locais submetidos a trauma, fricção, cortes ou outros estímulos físicos.

11. Vitiligo pode afetar os cabelos?

Sim. Os pelos localizados dentro das áreas de vitiligo podem perder pigmentação, fenômeno chamado leucotriquia. Isso pode influenciar a resposta ao tratamento, embora a presença de pelos brancos não signifique necessariamente que a repigmentação seja impossível.

12. Quando devo procurar um dermatologista por causa de uma mancha branca?

Sempre que uma mancha branca ou clara for nova, estiver aumentando, novas lesões estiverem aparecendo ou houver dúvida sobre sua causa. O dermatologista pode avaliar a pele, utilizar ferramentas como a lâmpada de Wood e determinar se a alteração é realmente vitiligo ou outra condição.


Leia mais

Sociedade Brasileira de Dermatologia: Vitiligo

MSD Manuals: Vitiligo

Blog do site: Dermatologista

Blog do site: Dermatologia Pediátrica

Blog do site: Dermatite Atópica


Referências

Tsao H, Alexis AF. Vitiligo: Pathogenesis, clinical features, and diagnosis. UpToDate. Atualização de julho de 2026.

Tsao H, Alexis AF. Vitiligo: Management and prognosis. UpToDate. Atualização de junho de 2026.

Srivastava D, Sathe NC, Masood S. Vitiligo. StatPearls. Atualização de 5 de julho de 2026. NCBI Bookshelf – Vitiligo

Marchioro HZ, Castro CCS, Fava VM, et al. Update on the pathogenesis of vitiligo. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2022;97(4):478-490.

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