Dr. Vitor Fabris – Dermatologista em Criciúma – SC

O que é acne?

A acne é uma doença de pele muito comum, caracterizada pelo surgimento de cravos e espinhas na face e em outras regiões do corpo, como dorso e tórax. Ela ocorre principalmente na adolescência, mas também pode afetar adultos — especialmente mulheres.

Sintomas da acne: como identificar

A doença está relacionada a fatores como oleosidade da pele, alterações hormonais, inflamação e predisposição individual. Em muitos casos, pode persistir até a vida adulta, com resolução completa apenas após os 40 anos.

Os sinais mais comuns da acne incluem:

  • Cravos (comedões): pontos pretos ou brancos na pele
  • Espinhas (pústulas): lesões com pus
  • Pápulas: lesões avermelhadas e dolorosas
  • Nódulos e cistos: lesões profundas, com maior risco de cicatrizes

A presença desses diferentes tipos de lesões define a gravidade da acne e orienta o tratamento.

Rosto feminino com acne: espinhas e cravos

Nem toda espinha é acne

Diversas doenças de pele podem ser confundidas com acne, o que torna o diagnóstico correto essencial. Entre elas:

  • Rosácea
  • Dermatite perioral
  • Foliculite (fúngica ou bacteriana)
  • Dermatite seborreica
  • Ceratose pilar
  • Acne induzida por medicamentos
  • Hiperplasia sebácea

Por isso, o ideal é sempre consultar um dermatologista antes de iniciar qualquer tratamento. Dermatologia é a especialidade médica que estuda as doenças da pele, e o dermatologista é o profissional mais capacitado para diagnosticar e tratar a acne.


Foto do Dr Vitor Fabris sorrindo
Dr Vitor Fabris é médico dermatologista com expertise no tratamento da acne e pode te ajudar no diagnóstico e tratamento desta doença.

Quais são as causas da acne?

A acne é uma doença multifatorial. Os quatro principais mecanismos envolvidos são:

  1. Produção excessiva de oleosidade da pele: a pele produz uma gordura natural chamada sebo. Quando essa produção é maior do que o normal, aumenta a chance de surgirem cravos e espinhas. Isso acontece principalmente por causa dos hormônios — especialmente os chamados androgênios, que aumentam na adolescência e também podem variar ao longo do ciclo menstrual nas mulheres.
  2. Entupimento dos poros: os cravos e espinhas se formam dentro dos poros da pele. Esses poros são pequenas aberturas por onde sai a oleosidade. Em pessoas com acne, é comum que eles fiquem entupidos por uma camada de células da pele (queratina), formando os cravos.
  3. Aumento de bactérias na pele: nossa pele possui bactérias naturalmente, sem causar problemas. Porém, em pessoas com acne, pode ocorrer um desequilíbrio, com aumento de uma bactéria chamada Cutibacterium acnes. Esse crescimento favorece a inflamação e o aparecimento das espinhas.
  4. Inflamação: as espinhas ficam vermelhas e com pus porque o corpo reage ao que está acontecendo na pele, gerando inflamação. Mesmo quando ainda vemos apenas cravos, sem espinhas aparentes, já existe um certo grau de inflamação na pele.

O surgimento dos cravos e das espinhas acontece por causa desses quatro fatores. Além disso, é comum existir um gatilho que dá início ou piora a acne.

Na maioria dos jovens, esse gatilho é a puberdade. Nessa fase, as mudanças hormonais naturais do corpo aumentam a oleosidade da pele e favorecem o aparecimento da acne. Por outro lado, existem situações em que a acne pode estar relacionada a outras doenças ou a hábitos do dia a dia. Por isso, identificar se há algum fator desencadeante é uma etapa importante do diagnóstico — e faz diferença na escolha do tratamento mais adequado.

Fatores que podem piorar a acne

Em alguns casos, a acne pode ser desencadeada ou agravada por fatores específicos:

  • Doenças hormonais: algumas doenças aumentam certos hormônios do corpo que estimulam a oleosidade da pele, favorecendo o surgimento de acne. A mais comum nas mulheres é a Síndrome dos Ovários Policísticos, que pode causar menstruação irregular, aumento de pelos, queda de cabelo e mais cravos e espinhas.
  • Ciclo menstrual: muitas mulheres percebem que a acne piora em determinados momentos do ciclo, principalmente antes da menstruação. Isso acontece por causa das variações naturais dos hormônios.
  • Uso de hormônios: alguns hormônios usados com finalidade estética, como os chamados “chip da beleza”, podem aumentar bastante a oleosidade da pele e causar acne. Além disso, podem trazer outros efeitos indesejados, como queda de cabelo e aumento do risco de problemas de saúde.
  • Vitaminas: o uso de algumas vitaminas, especialmente as do complexo B (como B6 e B12), pode aumentar a oleosidade da pele em algumas pessoas e favorecer o aparecimento de espinhas. É comum que pessoas fazendo reposição de Vitamina B notem piora da oleosidade da pele e surgimento de espinhas.
  • Medicamentos: certos remédios podem desencadear ou piorar a acne, como alguns usados para tratamento de transtornos psiquiátricos, infecções ou epilepsia.
  • Produtos para a pele (cosméticos): alguns cremes, maquiagens ou pomadas podem obstruir os poros e causar acne — o que chamamos de acne cosmética. Mesmo produtos de boa qualidade podem não se adaptar bem a todos os tipos de pele.
  • Atrito na pele: o contato constante com objetos ou roupas pode irritar a pele e causar acne, como no uso frequente de máscaras, capacetes ou roupas apertadas. Isso é conhecido como acne mecânica.

Acne em adultos: acne da mulher adulta

Existe um tipo de acne que costuma aparecer ou persistir em mulheres após os 25 anos, conhecido como acne da mulher adulta. Ela foi reconhecida porque, nessa fase da vida, a acne pode ter algumas características diferentes daquelas que surgem na adolescência.

Enquanto a acne na adolescência está principalmente ligada às mudanças naturais da puberdade, a acne da mulher adulta costuma ser mais persistente, podendo ir e voltar ao longo do tempo. Além disso, a pele tende a ser mais sensível, o que exige mais cuidado na escolha de produtos cosméticos e na rotina de cuidados com a pele. Também é importante avaliar possíveis causas hormonais, como a Síndrome dos Ovários Policísticos.

Outro ponto importante é que o tratamento pode ser um pouco diferente. Como a pele costuma ser mais sensível nessa fase, a escolha dos produtos e medicamentos precisa ser mais cuidadosa para evitar irritações e garantir melhores resultados.

Alimentação e acne: existe relação?

Foto de alimentos com altos níveis de açúcar, que podem influenciar a acne

Praticamente todo mundo já ouviu dizer que algum alimento causa acne — e o chocolate costuma levar a fama. No entanto, o papel da alimentação no surgimento da acne ainda é bastante discutido, e até hoje não se conhece um alimento específico que, sozinho, cause a doença.

Isso significa que a alimentação não influencia a acne? Não exatamente. Hoje sabemos que o mais importante não é um alimento isolado, mas sim o padrão geral da dieta.

Isso quer dizer que, para quem tem uma alimentação equilibrada — com poucos alimentos industrializados, boa variedade de alimentos naturais e ingestão adequada de calorias — o consumo ocasional de chocolate ou de alimentos ricos em açúcar e farinha dificilmente terá impacto significativo na pele.

Por outro lado, dietas desorganizadas, com alto consumo de açúcar e alimentos ultraprocessados (o chamado padrão hiperglicêmico), podem piorar a acne. Nesses casos, o mais importante não é cortar um alimento específico, como o chocolate, mas melhorar a qualidade da alimentação como um todo.

Outro ponto que pode influenciar é o consumo excessivo de leite e derivados, como whey protein. Ainda assim, isso não acontece com todas as pessoas, especialmente quando o consumo é moderado.

Também é importante saber que, apesar de a dieta poder piorar a acne, ela dificilmente será a causa isolada da doença, e modificações na dieta, apesar de poderem reduzir um pouco a quantidade de cravos e espinhas, não farão a acne desaparecer. Em resumo: a alimentação pode influenciar a acne em alguns casos, mas raramente é a causa principal. Ajustes na dieta podem ajudar, mas o controle da acne exige tratamento médico adequado.

O que acontece se não tratar a acne?

A acne não tratada pode levar a:

  • Manchas na pele
    Cicatrizes permanentes
  • Impacto psicológico (baixa autoestima, ansiedade, depressão)
  • O tratamento precoce reduz significativamente esses riscos.

Tratamento da acne: o que funciona e o que não funciona

foto de sérum usando para tratamento da acne, cravos e espinhas

A internet está cheia de dicas para tratar acne: chás, alimentos que “devem” ser evitados, produtos para passar nas espinhas e rotinas complexas de cuidados com a pele (skin care). Porém, a maioria dessas recomendações não tem comprovação científica sólida.

É muito comum que pacientes cheguem ao consultório frustrados, já tendo testado vários produtos e rotinas diferentes. Entre eles, estão os dermocosméticos, rotinas com muitos passos e até adesivos para espinhas. Essas medidas podem até trazer uma melhora leve, mas, na maioria das vezes, não conseguem controlar a acne de verdade.

Isso acontece porque skin care não trata acne sozinho. A acne é uma doença e precisa de tratamento adequado, geralmente com medicamentos. Esses medicamentos podem ser de uso tópico (aplicados na pele) ou via oral (em comprimidos). Já os cuidados com a pele (skin care) ajudam como complemento, mantendo a pele saudável e mais equilibrada.

Tratamentos tópicos incluem:

  • Ácido retinoico
  • Ácido azelaico
  • Peróxido de benzoíla
  • Antibióticos tópicos, como a clindamicina

Tratamentos orais incluem:

  • Antibióticos da classe das tetraciclinas
  • Espironolactona (para mulheres)
  • Anticoncepcionais hormonais (para mulheres)
  • Isotretinoína (tratamento mais eficaz e que pode curar a acne a longo prazo)

O mais importante é entender que cada caso é único – e o tratamento correto deve ser orientado por um dermatologista, após o diagnóstico correto da doença e após outras causas terem sido afastadas.


Leia mais

Sociedade Brasileira de Dermatologia – Acne
Sociedade Brasileira de Dermatologia – Tratamento da Acne
Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica – Acne

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